
Pesquisa mostra que funcionários têm medo de tirar férias
O mundo mudou, as Torres Gêmeas foram ao chão, empresas se fundiram e tirar férias virou motivo de aflição para 38% dos trabalhadores. Está certo que 62% se sentem muito bem nos 30 dias que ficam longe do trabalho. Mas o índice de preocupados com a possibilidade de perder cargo ou emprego durante esse período surpreendeu os pesquisadores da sucursal brasileira do International Stress Management Association (Isma-BR), entidade presente em 12 países.
Foram entrevistados 678 profissionais em Porto Alegre (RS) e São Paulo (SP). O resultado será apresentado, em junho, num congresso internacional sobre estresse, na capital gaúcha. Para os que têm medo, a maior fonte de estresse é imaginar que decisões importantes podem ser tomadas durante sua ausência (46%). Em segundo lugar (32%), vem o temor de estar fora num momento de reestruturação de cargos.
O medo da demissão ocupa a terceira posição (19%). Segundo a coordenadora da pesquisa, Ana Maria Rossi, doutora em psicologia pela Universidade de Nebraska (EUA), números tão expressivos sugerem que a tensão provocada pelas férias é problema que precisa ser analisado com mais atenção: — Eu não esperava um percentual tão alto.
Credito a insegurança ao momento crítico da economia internacional, às mudanças e demissões, principalmente nos setores automobilístico e de aviação. As férias são o salva-vidas que o empregado tem para se salvar da rotina. Esse estresse tende a aumentar a incidência de doenças do trabalho — avalia Ana Maria, afirmando que o método utilizado permite a projeção dos resultados para todo o Brasil. Para Ana Maria, tanto empresas quanto os funcionários que se sentem ameaçados têm de buscar caminhos para enfrentar a situação.
No caso das organizações, diz ela, a tarefa é descobrir quais fatores estão levando as pessoas a se sentirem estressadas. Até porque, a saúde mental é básica para o bom funcionamento de uma equipe. No caso dos profissionais, entre as medidas a tomar, continua ela, está o treinamento de um substituto. Ou até o adiantamento de tarefas fundamentais: — A solução é garantir que tudo corra bem. Há quem boicote os colegas para não ser substituído a contento.
Se a pessoa partir deste pressuposto, não vai mesmo relaxar.
Fonte: www.relatoriorh.com.br