
Mande o primeiro e-mail quem nunca usou a internet, no trabalho, para tratar de algum assunto pessoal. Seja para dar uma olhadinha num determinado site de notícias ou para repassar um e-mail com fotos do aniversário do filho.
Mas há quem extrapole o bom-senso e perca hooooras procurando amigos no Orkut, olhando fotos de mulheres nuas ou até mesmo planejando as tão sonhadas férias. Como internet e correio eletrônico são ferramentas relativamente novas, ainda não existem leis que regulamentem a possibilidade ou não de as empresas monitorarem seu uso. Enquanto as regras não chegam, as organizações vêm criando as suas próprias.
Cronômetro para monitorar e-mail Na Intelig, por exemplo, foi cortado o acesso a 150 mil sites, 99% ligados a sexo. Na Bradesco Seguros e Previdência, as regras de controle são bem claras e rígidas. Muitos sites de relacionamento — como Orkut e MSN — e de entretenimento foram bloqueados. Além disso, a companhia implantou, em seu sistema, um software de controle de acesso, cujo gerenciamento é feito por categorias de endereços, que são classificados por conteúdo e por tempo de uso.
Dessa forma, sites de entretenimento ou que possam conter informações especificamente sobre pornografia e pedofilia foram desabilitados. E mais: o envio de e-mail pessoal não chegou a ser proibido, só que a utilização é cronometrada. Segundo a empresa, “as regras permitem cumprir as recomendações contidas no manual de política e normas corporativas de segurança da informação do grupo, possibilitando maior segurança ao sistema, além do aumento da produtividade”. — Quando você acessa seu e-mail pessoal, por exemplo, a cada minuto entra uma caixa dizendo que você está sendo monitorado. Aí, você é obrigado a clicar em continuar ou voltar.
É chato se sentir controlado o tempo todo — diz um funcionário. O controle do uso da internet não surgiu por acaso. Pesquisas que foram realizadas pelas empresas de segurança Cerberian e SonicWall, com mais de 2.400 americanos, mostram que 50% dos entrevistados passam mais de 10% do tempo em que estão no trabalho navegando para tratar de assuntos pessoais, o que equivale a cerca de quatro horas semanais — ou, aproximadamente, nove dias por ano.
Goiamy Filho, gerente de produto da CTT Telecon, empresa de consultoria em tecnologia da informação, em São Paulo, afirma que parte da produtividade é perdida em assuntos não pertinentes aos negócios: — O mau uso da internet no trabalho representa um prejuízo para as empresas em torno de US$ 85 milhões ao ano, segundo dados fornecidos pela Web-sense. Regras bem claras já na hora de contratar Há empresas que já tratam do assunto internet no momento das contratações.
Fonte: O Globo